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Conferência Municipal de Saúde abre espaço para a sociedade cuiabana redesenhar o SUS local

Nos dias 29 e 30 de junho, Cuiabá sediou um dos eventos mais importantes do calendário da saúde pública municipal: a 16ª Conferência Municipal de Saúde de Cuiabá, com o tema “Brasil das Brasileiras e dos Brasileiros: SUS e Soberania. Cuidar do Povo é Cuidar do Brasil”. O encontro reuniu usuários do Sistema Único de Saúde, trabalhadores, gestores, prestadores de serviços e representantes da sociedade civil para debater propostas voltadas ao fortalecimento da saúde pública no município. A conferência não é apenas um evento protocolar; é o mecanismo constitucional pelo qual a população participa diretamente das decisões sobre como o dinheiro público na saúde deve ser gasto e quais políticas devem ser priorizadas. NOTÍCIAS NOBRE

O que está em jogo na conferência

O Brasil criou, ao longo de décadas, um sistema único de participação popular na gestão da saúde. As conferências municipais constroem as bases das políticas que depois chegam às conferências estaduais e, por fim, à nacional. No caso de Cuiabá, a reunião acontece num momento em que a secretaria avança na construção do Centro Médico Infantil, projeto cujo debate passou pela Assembleia Legislativa e que representa um dos pilares do atendimento pediátrico na capital. Ao mesmo tempo, o município enfrenta questões históricas de acesso, cobertura e qualidade nos serviços prestados pelo SUS local.

A gestão Brunini e o SUS em debate

A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, reforçou a importância da participação da sociedade na construção das políticas públicas, destacando que é por meio desse diálogo que é possível identificar prioridades, aperfeiçoar os serviços e construir soluções que atendam às reais necessidades dos cuiabanos. Para a gestão do prefeito Abílio Brunini, a realização da conferência é também uma oportunidade de colher da sociedade uma avaliação sobre o que funcionou e o que ainda precisa avançar nos dois anos iniciais do mandato. NOTÍCIAS NOBRE

A pauta do sistema de saúde em Cuiabá é extensa. Entre as demandas históricas estão o tempo de espera para consultas especializadas, a capacidade dos pronto-atendimentos, a cobertura da saúde mental e a estrutura das unidades básicas em bairros mais afastados do centro. A conferência, ao reunir vozes de diferentes segmentos, tem o potencial de transformar essas queixas cotidianas em diretrizes formais de política pública.

O que o Refis Municipal tem a ver com a saúde

Um tema que costura diferentes áreas da gestão municipal é o Mutirão Fiscal, que encerrou na data da conferência. Conforme previsto na Lei nº 7.527/2026, os maiores descontos são destinados aos pagamentos à vista, com abatimento que pode chegar a 95% sobre juros de mora e multas, desde que o IPTU do exercício corrente também seja quitado integralmente. A relação entre arrecadação e qualidade dos serviços públicos é direta: o aumento de receita municipal amplia a capacidade de investimento em saúde, educação e infraestrutura. Cuiabá há anos convive com uma dívida pública elevada, e a negociação de débitos gera fôlego orçamentário. Prefeitura de Cuiabá

Participação cidadã como ferramenta política

A conferência municipal de saúde é, antes de tudo, um exercício de democracia participativa. As deliberações do encontro serão encaminhadas ao Conselho Municipal de Saúde e à Secretaria, com caráter orientador das ações do poder público nos próximos anos. A qualidade do que sai dessas discussões depende diretamente do quanto a população se engaja. Em Cuiabá, onde as demandas por saúde são amplificadas por um clima extremo que eleva casos de doenças respiratórias, cardiovasculares e de desidratação, o debate é particularmente urgente.

Ao mesmo tempo, a Câmara Municipal de Cuiabá manteve intensa atividade legislativa ao longo de junho, com sessões ordinárias e votações de projetos relevantes para a cidade. A agenda parlamentar inclui desde medidas de apoio a idosos, como a recente lei que amplia objetivos e diretrizes do programa de atividades físicas para a terceira idade, até discussões sobre o transporte público e o planejamento urbano. O mês revelou uma gestão municipal que tenta avançar em múltiplas frentes ao mesmo tempo, e que encontra na conferência de saúde um momento de prestação de contas à sociedade sobre o que foi feito e um compromisso do que ainda virá.

O Plano Diretor e o futuro de Cuiabá

Paralelamente à conferência, a Prefeitura conduziu audiências públicas sobre o novo Plano Diretor, que define o uso e a ocupação do solo na cidade. Essas discussões têm impacto direto na saúde urbana: o adensamento de bairros sem infraestrutura adequada, a falta de áreas verdes e a expansão desordenada são fatores que pressionam o sistema de saúde. A realização simultânea dessas pautas ao longo de junho sinaliza uma gestão que tenta conectar diferentes políticas setoriais, ainda que os desafios de integração entre secretarias sejam um obstáculo permanente em qualquer administração municipal de porte.

Fontes: Prefeitura de Cuiabá | Noticiasnobre | Gazeta Municipal de Cuiabá