O Pantanal entra no segundo semestre de 2026 com os alertas acesos. Especialistas em clima e meio ambiente não têm poupado palavras para descrever o risco que se forma sobre o maior bioma alagável do planeta, que se divide entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e representa uma das maiores concentrações de biodiversidade do Brasil. No Centro-Oeste, o foco permanece no Pantanal e em áreas de Mato Grosso, regiões historicamente mais expostas a eventos extremos durante a estação seca. O histórico recente é pesado demais para ser ignorado. CNN Brasil
O rastro do fogo nos últimos anos
Para entender o momento atual, é preciso olhar para o passado. Em 2024, a situação no Pantanal se agravou ainda mais, com um aumento de 157% na área queimada em comparação com a média histórica de 40 anos avaliada pelo MapBiomas Fogo. Nesse período, a quase totalidade (93%) dos incêndios registrados no bioma ocorreu em vegetações nativas, especialmente em formações campestres e campos alagados. O município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, carrega uma marca desoladora: detém o recorde de cidade brasileira com maior área queimada acumulada entre 1985 e 2024, com mais de 3,8 milhões de hectares. CNN BrasilCNN Brasil
O que a ciência diz sobre o risco em 2026
A análise climática para este ano traz uma dualidade que não é motivo de alívio. Houve uma melhora no início do ano em relação ao volume de chuvas no Centro-Oeste, mas os especialistas são claros sobre o que vem a seguir. A melhora observada no início do ano reduz a pressão imediata, mas não altera a trajetória de fundo. Ao longo do segundo semestre, a tendência é de elevação do risco de queimadas de moderado a alto, à medida que o regime seco se consolida e a umidade disponível no sistema cai de forma acelerada. Além disso, o calor e as queimadas no Pantanal se intensificam durante o El Niño, com efeitos mais drásticos nos polos produtores do agronegócio, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, segundo análises sobre o fenômeno que tem 82% de probabilidade de se consolidar no segundo semestre de 2026. CNN BrasilRevista Fórum
A resposta institucional: prevenção e tecnologia
Diante desse cenário, o Governo de Mato Grosso e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul tomaram medidas concretas para reforçar a vigilância sobre o bioma. Entre as ações, destaca-se a antecipação do início do período proibitivo para o uso e manejo do fogo no bioma Pantanal, que passou a valer a partir de 1º de junho, enquanto na Amazônia e no Cerrado a proibição teve início em 1º de julho. Também foi instalada a Sala de Situação Descentralizada do Pantanal, em Poconé, no Mato Grosso, criada para monitorar continuamente os focos de calor em tempo real. BOMBEIROS
Com uso de tecnologia de monitoramento que gera alertas a cada 10 minutos, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul vai investigar toda fazenda que for ponto de ignição do fogo no Pantanal. Propriedades com histórico de queimadas nos últimos cinco anos terão prioridade nas ações. A estratégia integra o Imasul, a Polícia Militar Ambiental e o Instituto de Perícia, com apoio aéreo quando necessário, o que aumenta consideravelmente as chances de autuação em flagrante. Campo Grande News
Estrutura operacional para a temporada
Para enfrentar a temporada de estiagem, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso dispõe de um efetivo de 1.420 bombeiros militares prontos para atuar, reforçados por 150 brigadistas estaduais temporários e 100 brigadistas municipais. A corporação também conta com 80 viaturas especializadas no combate a incêndios florestais, além de uma frota aérea ampliada, com até oito aeronaves operando simultaneamente. O investimento do Governo de Mato Grosso no Corpo de Bombeiros soma R$ 78 milhões, com foco no fortalecimento da estrutura e da capacidade operacional. BOMBEIROS
Agronegócio e bioma: uma tensão permanente
O Pantanal não existe numa bolha desconectada do restante da economia regional. Ele convive, muitas vezes em conflito, com a pressão do agronegócio que avança pelo entorno. Os dados históricos mostram que os incêndios se relacionam com a presença da vegetação natural e com os períodos de seca, e que o bioma queima especialmente no entorno do Rio Paraguai, região que passa por maiores períodos de seca desde a última grande cheia em 2018. Por isso, o debate sobre queimadas no Pantanal é também um debate sobre modelos de produção, uso da terra e regulação ambiental, questões que tocam diretamente interesses econômicos poderosos na região. CNN Brasil
O que se sabe com clareza é que a janela de prevenção é curta. Os meses de julho, agosto e setembro são historicamente os mais críticos para o bioma. Se as estruturas de fiscalização, o monitoramento em tempo real e a punição efetiva dos responsáveis por focos ilegais funcionarem em conjunto, o Pantanal terá uma chance real de passar por 2026 sem repetir os cenários devastadores de 2020 e 2024.
Fontes: CNN Brasil | Agência Brasil | Governo MT | Campo Grande News | MMA Gov










