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Reaproveitamento de pedras naturais: Como sobras do beneficiamento ganham novas aplicações no design?

Diohn do Prado
Diohn do Prado

Retalhos de bancadas, fragmentos de chapas e o pó fino gerado no corte podem ser reutilizados, evitando que se transformem em entulho. Diohn do Prado, diretor administrativo, destaca que o reaproveitamento desses resíduos tem viabilizado aplicações que associam sustentabilidade e design, abrangendo desde mosaicos até mobiliário e objetos decorativos.

O volume em questão é considerável. Do bloco extraído na pedreira à peça instalada, parte relevante do material é perdida em etapas como serragem, esquadrejamento, recortes e quebras. Destinar essas sobras é uma medida que contribui para a redução da pressão por uma nova extração, minimiza o descarte em aterros e agrega valor a um material que já passou por todas as etapas de beneficiamento.

As possibilidades variam de acordo com o tamanho e o tipo de resíduo. Saiba a seguir quais sobras podem ser reaproveitadas, em quais aplicações elas se destacam e o que observar para que o resultado tenha qualidade.

De onde vêm os resíduos das pedras naturais?

A manifestação dos resíduos ocorre em diferentes estágios. Na pedreira, blocos irregulares ou fraturados são descartados antes mesmo de chegarem à indústria. No beneficiamento, o corte do bloco em chapas gera uma lama composta por pó de rocha e água, e o esquadrejamento produz tiras e pontas que não atendem às dimensões padronizadas.

Na marmoraria, os recortes para cubas, cooktops e encaixes, bem como as sobras de chapas que não são suficientes para a produção de uma nova peça, são conhecidos como retalhos. Diohn do Prado pontua que tais fragmentos conservam as mesmas características de resistência e acabamento da chapa original, o que possibilita utilizá-los em aplicações de menor dimensão sem prejuízo da qualidade.

Cada tipo de resíduo requer uma solução específica. Retalhos maiores podem se transformar em novas peças quase sem modificações, fragmentos menores podem ser incorporados a composições e o resíduo fino depende de processos industriais para ter um novo uso.

Novas aplicações para sobras e peças menores

De acordo com o diretor administrativo, Diohn do Prado, o reaproveitamento tende a ser mais eficiente quando o destino das sobras é cuidadosamente planejado em conjunto com o projeto principal, aproveitando a mesma pedra em diferentes escalas do ambiente. Entre as aplicações mais comuns estão:

  • Mosaicos: pequenos fragmentos cortados em formatos geométricos ou irregulares compõem painéis, pisos e paredes de lavabos, permitindo combinar cores e criar desenhos personalizados.
  • Granilite e terrazzo: fragmentos de pedra misturados a uma base cimentícia ou de resina resultam em superfícies contínuas e polidas, usadas em pisos, bancadas e mobiliário.
  • Peças de pequena escala: retalhos maiores viram tampos de lavabo, soleiras, peitoris, prateleiras, nichos e degraus.
  • Mobiliário: mesas laterais, bancos, aparadores e bases de mesa aproveitam peças médias, às vezes combinando duas pedras diferentes na mesma composição.
  • Objetos decorativos: bandejas, porta-copos, tábuas, castiçais, vasos e luminárias transformam sobras pequenas em itens de design.
  • Revestimento em cacos: fragmentos irregulares assentados lado a lado, técnica conhecida como opus incertum, criam paredes e pisos de aspecto artesanal.
Diohn do Prado
Diohn do Prado

Além disso, tais aplicações também promovem uma melhoria estética. A utilização da mesma pedra do revestimento principal em objetos, nichos ou móveis confere ao projeto unidade visual, com o material sendo repetido em diferentes escalas, o que reforça a identidade do ambiente.

O destino do resíduo fino e os cuidados com a qualidade

A lama gerada no corte e no polimento é o resíduo mais desafiador, por ser volumosa e úmida. Após a fase de secagem, a argila pode ser utilizada na produção de argamassas, blocos cerâmicos e peças cerâmicas, substituindo parte da matéria-prima mineral. O pó de rocha também tem sido estudado como remineralizador de solos agrícolas, técnica conhecida como rochagem.

Sistemas de decantação e filtros-prensa são empregados para a separação da água do resíduo sólido, possibilitando a reutilização da água no próprio processo de corte. Além de reduzir o consumo, essa prática facilita o armazenamento e o transporte do material para outros usos industriais.

De acordo com Diohn do Prado, o reaproveitamento demanda o mesmo rigor técnico empregado nas peças principais, com inspeção de fissuras, acabamento uniforme das bordas e impermeabilização adequada ao uso. 

A organização da marmoraria também influencia o resultado final. A separação dos retalhos por tipo de pedra, tamanho e acabamento facilita a localização em projetos futuros e evita o descarte de peças aproveitáveis por falta de controle.

O que fazer para dar valor ao que antes era sobra? 

O reaproveitamento de pedras naturais é fundamental para a transformação de resíduos em matéria-prima para a produção de mosaicos, superfícies de granilite, mobiliário, objetos e insumos industriais. Ademais, de acordo com Diohn do Prado, tal prática amplia o aproveitamento de um material que exige grande esforço para ser extraído e beneficiado, prolongando seu ciclo de uso.

Além do ganho ambiental, a reutilização agrega valor estético e simbólico ao projeto. Peças produzidas com sobras compartilham a mesma origem do revestimento principal, contribuindo para a coerência do ambiente.

Diohn do Prado destaca que o planejamento conjunto entre projeto, corte e destino das sobras é o que torna o reaproveitamento viável em escala. Quando cada fragmento possui uma função determinada, o resíduo deixa de ser um problema e passa a fazer parte do design.