Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário com atuação no mercado de Roraima, acompanha a expansão da multipropriedade no Brasil e as oportunidades que esse modelo representa para empreendedores dispostos a operar com rigor e transparência. Entre os formatos que têm transformado a lógica de acesso à propriedade imobiliária no país, a multipropriedade se destaca pela capacidade de democratizar o uso de imóveis que, de outra forma, permaneceriam fora do alcance da maioria dos compradores. A possibilidade de adquirir frações de uso em vez de unidades inteiras abriu um mercado antes restrito a resorts e destinos turísticos de alto padrão.
O que é multipropriedade e como funciona?
A multipropriedade, também conhecida como time-sharing imobiliário, é um regime jurídico pelo qual um imóvel é adquirido por múltiplos proprietários, cada um com direito de uso por períodos determinados ao longo do ano. Cada fração corresponde a uma parte do tempo de utilização, geralmente expressa em semanas ou dias, e o conjunto de frações constitui a totalidade do tempo disponível no imóvel.
No Brasil, esse modelo foi regulamentado pela Lei 13.777/2018, que inseriu a multipropriedade no Código Civil e estabeleceu as regras para seu registro, gestão e transmissão. Antes dessa legislação, os contratos de time-sharing existiam, mas careciam de segurança jurídica clara, o que inibia tanto compradores quanto empreendedores. Com a regulamentação, cada fração passou a ser tratada como bem imóvel independente, passível de venda, doação, herança e financiamento.
Vantagens e limitações do modelo
A principal vantagem da multipropriedade para o comprador é o acesso a imóveis de padrão superior ao que ele poderia adquirir de forma integral. Um apartamento de alto padrão em resort pode ter um valor de aquisição total que ultrapassa em muito a capacidade de compra de um usuário eventual. Na multipropriedade, o comprador adquire apenas o tempo de uso que de fato utilizará, dividindo os custos de aquisição e manutenção com os demais coproprietários.
Conforme esclarece Guilherme Campos, a viabilidade econômica do modelo depende diretamente da qualidade da gestão do empreendimento. A administração das multipropriedades envolve a coordenação dos calendários de uso, a manutenção das unidades entre uma estada e outra e a gestão das áreas comuns, que em resorts de médio e grande porte podem ser bastante complexas. Empreendimentos com gestão deficiente tendem a gerar conflitos entre coproprietários e a depreciar rapidamente o valor das frações.

Mercado brasileiro e perspectivas de crescimento
O mercado de multipropriedade no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos, impulsionado pela regulamentação de 2018 e pelo aumento do turismo doméstico. Destinos como o Nordeste, a Serra Gaúcha e o litoral Sul concentram a maior parte dos empreendimentos lançados, mas o modelo começa a se expandir para outras regiões com potencial turístico ainda pouco explorado.
Na avaliação de Guilherme Campos, o crescimento desse mercado abre espaço para empreendedores que identifiquem destinos com demanda latente e desenvolvam projetos com padrão de gestão compatível com as expectativas dos compradores. A reputação do setor, que ainda carrega o estigma de práticas comerciais agressivas de períodos anteriores à regulamentação, depende da entrada de operadores comprometidos com a transparência e a qualidade do produto entregue.
Multipropriedade como alternativa de investimento
Além do uso pessoal, a multipropriedade pode ser estruturada como forma de investimento, com as frações não utilizadas pelo proprietário sendo disponibilizadas para locação por meio de um pool administrado pelo empreendimento. Nesse modelo, o coproprietário recebe uma parcela da receita gerada pela locação de sua fração durante os períodos em que não a ocupa.
Segundo Guilherme Campos, esse arranjo exige atenção redobrada às condições contratuais que definem a distribuição das receitas, os custos descontados antes do repasse e as regras de saída do pool. A atratividade do investimento depende da transparência dessas condições e da consistência da gestão operacional do empreendimento ao longo do tempo. Como em qualquer produto imobiliário, a solidez do projeto é determinante para a proteção do capital investido.
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